domingo, 9 de outubro de 2011

Menina solidão

Ando pelas ruas da cidade, chutando pequenas pedras soltas pelo caminho tortuoso, flutuando o olhar para qualquer coisa que me de um sorriso sarcástico, para algum lugar que me retorne a vida e a motivação de ver o sol nascer novamente, quero me sentir melhor mesmo sozinho, sentir bem do que ontem e pior do que amanha de manha, seguro as lagrimas nos cantos dos olhos até que enchem as olheiras profundas de meus pequenos olhos irritados pela poeira da brisa, meu coração se movimenta fazendo circular sangue vermelho intenso por todo o corpo que quer parar de pensar em solidão, em de observar a banda do vizinho e de também ficar parado quando existe algo a ser comemorado. Continuo andando pelas calçadas, com a cara ensebada,  tornozelos firmes nas pisadas pesadas, cabelo desarrumado, avisto muitas pessoas sorrindo juntas, conversam sobre tudo, e vejo um pequeno bolo com velinhas como se fosse aniversário de alguém mas é o aniversario de John, mas ninguém me chamou, Caramba, mas tudo bem , troco de calçada para que eles não me avistem, escondo meu rosto em qualquer farol alto e quase sou atropelado, mas quem se ligará? Chego ao outro lado da rua com nome de coisa estranha, entro em uma rua escura com pouca iluminação e reconheço uma amiga antiga que sumiu a algum tempo mas que reencontrei, minha amiga Solidão, com mãos soadas, nuca travada de tanto olhar para o chão, suor na testa e choro na garganta, abraço-a firme, digo que não me abandones, que não me julgues, que fique ao meu lado mesmo se ela encontrar alguém mais importante do que eu, se quiser fique calada, seja minha confidente, não olhe em meus olhos sem ter na boca a verdade, em meu aniversario me deseje dias melhores, no natal de me um anestésico que eu possa dormir, no ano novo não quero comer, quero flutuar em um balão como alguém que quer  ir a lua, mesmo sozinho.
Menina solidão, minha amiga, irmã, namorada que nunca tive, crie algo do nada que seja nada,  menina triste, sem asas, sem cor, sem forma e espaço, vamos brincar, que não seja esconde- esconde, apareça, faça-se minha noiva, segure minha mão, beije-me com lábios frios de um corpo quente, me de carinho, atenção me de amor e compreensão, traga uma musica vamos dançar, dois pra lá dois pra cá, nos trancamos do mundo em um quarto com pequenas flechinhas de luz, só nós dois, que tal menina indefesa, igual a uma pressa da viúva negra mas que vive na grandeza de ser  solteira, não tem medo da solidão, pois é a sua canção de auditoria própria, se faz na escuridão e sempre me fala que a pior solidão que existe é darmo-nos conta de que as pessoas são idiotas, que ninguém é mais importante que nós mesmos, me beija sufocamente me prende em teu colo  macio menina envolvente de descobrimento absolutamente silencioso.

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