terça-feira, 24 de maio de 2011

Dona Morte

“...respeitado pelo crime traído pela morte, morreu em uma esquina na zona norte a morte chega como pra mim como pra ela...”
Na verdade vivemos para morrer, nascemos para sobreviver e por segundos nos deparamos ao morrer debaixo de uma terra que os vermes hão de comer, deixando para os parentes e amigos dores de sofrer.
A morte é um enigma que nunca poderemos desvendar, podemos imaginar e não recusar, sair por ai procurando livros que de dicas sobre o tal mistério não terá sucesso, pois não encontrará.
Acendo uma vela para Deus iluminar meus caminhos, em um mundo obscuro, que eu possa ter um fim para um começo de paz e de nuvens brancas.
Sou mais um neste mundo buscando algo, mas nada encontro, será que corremos atrás do nada? Acho que sim, nada somos, viemos do pó e do pó retornaremos.
A morte me beija todos os dias, tentando me fazer a cabeça, prometendo tranqüilidade na minha mente, sempre vem dizendo – vem... – mas eu pergunto – vem pra onde? – tem vezes que penso que o inferno é aqui, somos  demônios prontos para destruir a perfeição de Deus no mundo como nos sujeitamos?.
Olhando nas esquinas encontro jovens que estão vivos, mas ao mesmo tempo mortos, se matam em uma droga se fazem escravos da mente, acabaram de sair do alistamento militar para o exercito do crack, isso é o beijo da dona morte.
Dona Morte é uma senhora idosa, bem vivida, usa uma roupa luxuosa, seus olhos são como diamantes negros, negros como uma noite de lua cheia e vento impetuoso, sua voz é doce e amarga dependendo do seu humor, anda sem destino em sua carruagem guiada por lobos malditos que ruivam a cada assassinato brutal de um ser sem culpa.
Matam mais um na zona norte, na zona oeste, zona sul e a zona leste  também pede, pede por socorro, somos alvos invulneráveis a tudo, prontos para o inusitado, talvez.
O que adianta ter grana, mulheres se a morte nos põe em cana, correr e se cansar, um dia dormir e não acordar. Pra que compaixão se o mundo é uma ilusão? Pra que ser politicamente correto se onde eu moro o certo e o incorreto andam de braços abertos, os ricos fazem bico e a baixa renda faz abrigo.
Mais uma vez a dona morte chega perto de minha cama, me beija, promete liberdade, promete solidariedade, confesso chego a balançar minha cabeça dando-lhe total confiança e aceito e logo acordo de um pesado pesadelo.
Ligo a TV e vejo mais mortes, um mar de sangue, penso – a dona morte teve sua atração de beijos bem sucedida-.
Acenda seu esgueiro e levanta-o para que a fênix renasça, traga o espírito dos antigos guerreiros de troia, que Joana d'Arc venha lutar a favor das mulheres, que Robin hood venha roubar moedas de ouro em favor aos pobres, que o Senhor Jesus venha roubar almas da dona morte.
Jogue seu pano branco pela janela, peça trégua a guerra, diga paz entre os Paes.
Finalizando o pensamento a morte é um conformismo todos nós já sabemos, mas nunca a queremos mesmo sabendo que um dia a encontraremos a dona morte.

Um comentário:

  1. Muito bacana esse texto...a morte é realmente algo que enquanto vivos, jamais entenderemos...uma viagem para o céu ou inferno...algo explicitamente atraente e arrepiante...onde ao mesmo tempo em que a pedimos..tambem a rejeitamos...a unica certeza dos seres humanos...a unica coisa que de fato acontecerá na vida de todas as pessoas...como fugir de algo tão misterioso? como não temer o que não conhecemos?...como não temer a morte?

    Priscila - O Quarto

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